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“Eu me dedico ao futuro” - José Reinaldo do Amaral recebe título de Professor Emérito da Faculdade de Medicina

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Professor José Reinaldo do Amaral e professora Berta Baltazar Elias, na solenidade de outorga do título de Professor Emérito, no Teatro Asklepiós

A noite de quinta-feira passada (07/05) marcou um momento importante na vida do José Reinaldo do Amaral, médico psiquiatra e professor há 44 anos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG). Rodeado de seus familiares, amigos, colegas e autoridades, ele recebeu o título de Professor Emérito do departamento, concedido pelo Conselho Universitário e outorgado pela reitoria da UFG.

“Não contem a ninguém, mas estou transbordando de orgulho. É embriagante o que sinto por esse desfecho. Embora invadido por um enorme incerteza sobre as virtudes a mim atribuídas”, diz o professor em seu discurso emocionante, mas ao mesmo tempo sóbrio e cheio de referências que vieram costurando o histórico de sua formação humanista, da Grécia Antiga, com Homero e a mitologia grega, ao pensamento moderno, com Maquiavel e Ortega y Gasset.

Simbolicamente, José Reinaldo do Amaral atribuiu sua consciência histórica e sua memória aos fios da deusa Cloto, uma das três Moiras da mitologia grega, que costura a vida e o sentido da existência, criando o tecido da experiência humana.

O evento foi realizado no Teatro Asklepiós, da Faculdade de Medicina. A mesa diretiva da cerimônia foi composta pelo diretor da FM, Marcelo Rabahi, pela atual reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, por quatro reitores de gestões anteriores, Angelita Pereira de Lima, Edward Madureira Brasil, Orlando Afonso Valle do Amaral e Milca Severino Pereira, e pela professora de Saúde Mental e Medicina Legal da FM, Berta Baltazar Elias, autora do discurso de saudação ao professor José Reinaldo do Amaral, que por um feliz acaso é seu companheiro.

Com palavras dosadas pela emoção, a professora Berta traçou a linha biográfica e profissional de José Reinaldo, que nasceu em Patrocínio, Minas Gerais, tendo se mudado ainda criança para Belo Horizonte, e vindo ainda jovem para Goiânia, onde curou Medicina na UFG. “Não só passou pelo departamento, mas ajudou a forjá-lo”, lembra Berta.

Ao pontuar a longa e frutífera trajetória de José Reinaldo como médico e professor de Medicina, Berta lembra que entre todas as viagens de cultivo e de aprendizado que ele fez, entre 1990 e 1992 foi morar em Paris para ser pesquisador assistente no serviço de psiquiatria do Groupe Hospitalier Universitaire Pitié-Salpêtrière, uma das instituições mais renomadas do mundo, reduto de origem da psiquiatria e da neurologia modernas, nas figuras respectivas de Philippe Pinel e Jean-Martin Charcot, mentor do fundador da psicanálise, Sigmund Freud.

Berta descreve José Reinaldo como uma “figura única, de inteligência rara, caráter reto, postura incorrigível e incorruptível”, com “o dom de ensinar e capaz de transformar complexidade em clareza”. Ela finalizou seu discurso dizendo: “O senhor cumpriu seu dever com a instituição com destaque, é exemplo de competência, grandeza moral e ética. O senhor é presença, é farol, é inspiração, o senhor merece viver esse momento, seu legado permanece e continuará inspirando a Universidade Federal de Goiás por gerações”.

Segundo Marcelo Rabahi, José Reinaldo é exemplo de ética. “É uma pessoa reta, e referência institucional, acadêmica e humana.” Sua carreira se estendeu pelas duas grandes universidades goianas, a UFG e a PUC-GO. Foi médico da Osego (Organização de Saúde do Estado de Goiás), trabalhou no hospital psiquiátrico Adalto Botelho. Como gestor, foi chefe do Departamento de Saúde Mental e Medicina Legal da FM. Como pesquisador, contribuiu com a divulgação da medicina em palestras, simpósios, cursos de extensão, orientação de médicos residentes e publicação de artigos científicos e coautoria de livros.

Em seu discurso, José Reinaldo lembrou da família, seus três filhos, lembrou dos colegas, dos amigos, dos professores que foram seus mestres e dos alunos e residentes para os quais ele foi, e é, o mestre. Agradeceu também à professora Berta. “Nesse trajeto”, diz ele, “colhi louros que me enchem de orgulho. Tornei-me membro titular da Academia Goiana de Medicina, da qual sou ex-presidente, membro-fundador da Academia Brasileira da História de Medicina, e agora, Professor Emérito da Faculdade de Medicina da UFG. Esses três pilares são minha tríplice coroa como o saber.”

Ele também chama a atenção para o papel da UFG de atuar além da vida acadêmica, inserindo-se na vida social. “Nessa época de polarização fragmentadora, de grande desigualdade e de imprevisibilidade na projeção do futuro, a Universidade tem um compromisso social indeclinável na defesa de pautas substantivas na construção de uma ponte. Ela é responsável por uma formação de novas mentalidades no Brasil, resistindo à ignorância, lutando por justiça, dignidade, solidariedade, e tolerância em relação a conceitos divergentes.”

E finaliza seu discurso dizendo: “A UFG tem cumprido brilhantemente seu dever para com a construção do futuro. Tornar-me professor emérito desse universidade, não é o ponto de chegada, trata-se da renovação do meu compromisso com a medicina, com o ensino da medicina, com essa instituição, com a sociedade. Eu me dedico ao futuro.”

 

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Milca Severino Pereira e Edward Madureira Brasil (ex-reitores da UFG), Marcelo Rabahi (diretor da FM), Sandramara Matias Chaves (reitora da UFG), José Reinaldo do Amaral (agora professor emérito da FM), Angelita Pereira de Lima e Orlando Afonso Valle do Amaral (ex-reitores da UFG) e Berta Baltazar Elias (professora da FM)

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