FM participa de programa de excelência na luta contra o câncer de mama e do colo do útero, o Goiás Todo Rosa
Em 23/10/2026
Texto: Gilberto G. Pereira
Foto: SES-GO/Divulgação
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Programa Goiás Todo Rosa começa a ser desenvolvido em 2023, e em 2025 tem seu pontapé inicial (foto), em parceria com UFG, quando pacientes de câncer de mama caminharam o trajeto de 18 km de Goiânia a Trindade |
Mês importantíssimo na conscientização da luta contra o câncer de mama e do colo do útero em todo o mundo, Outubro Rosa está acabando, mas não acaba a luta contra essa doença tão invasiva. Tal visão fez o governo de Goiás investir num projeto abrangente e perene, com ações o ano inteiro, o Goiás Todo Rosa, que começou a ser desenvolvido em 2023 e chegou a 2026 com ampla realização, cujo slogan traduz bem seu espírito: “O câncer não espera. O cuidado também não.” A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM/UFG) está entre os parceiros da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) nesse programa, do qual a mastologista e professora da FM Rosemar Rahal é coordenadora médica.
De acordo com a professora Rosemar, o foco do Goiás Todo Rosa é o diagnóstico precoce e o rastreamento do câncer de mama. Para a efetivação de seus objetivos, o programa tem vários braços, entre os quais está a capacitação dos profissionais da Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS), com realização de simulação realística. Trata-se de uma estratégia utilizada para repassar informações para o médico da Atenção Primária. “Nós simulamos uma situação de consulta, em que o médico está avaliando uma mamografia, ou identificando uma história familiar que possa estar relacionada a câncer de mama herdado. Através dessas simulações, vamos repassando informação para que quando o médico volte para sua Unidade Básica de Saúde ele possa aplicar o conhecimento adquirido aqui. Acredito que esteja dando certo, estamos tendo um bom feedback.”
Outro ponto muito importante, diz a professora Rosemar, é o acesso ao painel genético para câncer de mama e ovário herdado. “Essa tecnologia nos permite identificar as mulheres e seus familiares que tenham câncer de mama com características de herança, ocasionando uma abordagem melhor para essa população e estabelecendo estratégia de prevenção, evitando que as pessoas venham desenvolver um câncer de mama e ovário herdado”, diz. Segundo ela, o programa já tem mais de 1.200 painéis genéticos realizados, com um número considerável de pacientes mapeados pela Atenção Primária. “Com isso, aprendemos a ter um olhar diferenciado, como a atividade que faremos agora nas comunidades Kalungas. Ou seja, passamos a ter um olhar macro sobre todas as regiões e grupos sociais do Estado, com o objetivo de fazer o diagnóstico precoce ou dar a oportunidade à mulher de fazer a identificação de câncer herdado com o Goiás Todo Rosa.”
Um salto importante
O programa possibilita as mulheres darem um salto no acesso aos serviços dos painéis genéticos, que são exames de DNA que rastreiam genes para identificar mutações associadas a doenças raras ou a outras específicas, como câncer hereditário e problemas cardiovasculares. Os serviços são oferecidos pelo SUS, e o Hospital das Clínicas é um dos parceiros do programa. Para ter acesso aos painéis genéticos, é preciso uma solicitação feita pelos médicos. A diferença do programa Goiás Todo Rosa em relação à solicitação padrão é que a mulher não vai fazer isso sozinha.
A organização da rede criada pelo programa vai garantir às interessadas a conexão à Atenção Primária do SUS. A mulher vai procurar a Unidade Básica de Saúde do município onde mora, que já está com a cartilha do programa em mãos, e passará por uma avaliação baseada no histórico pessoal e familiar de câncer de mama ou de ovário, especialmente casos precoces, para ver se ela se encaixa no perfil de risco.
Se o teste genético for positivo para mutações genéticas, ela entra no programa, que lhe oferece uma linha de cuidado junto a ginecologistas, mastologistas e oncologistas em ambulatórios especializados do SUS, como as Policlínicas do Estado e o Hospital das Clínicas, com medidas de prevenção como mastectomia profilática, cirurgias reparadoras e acompanhamento.
No caso específico do Goiás Todo Rosa, os testes vão rastrear os BRCA1 e BRCA2, genes supressores que atuam na proteção do organismo contra o câncer. No serviço público, os testes dos painéis genéticos são custeados pelo SUS. Na rede privada, eles custam em média R$ 4,5 mil. As ações do programa estadual vão abranger “educação em saúde, rastreamento organizado, detecção precoce de sinais e sintomas, diagnóstico ágil e preciso, acesso ao tratamento oportuno e monitoramento e avaliação da rede”, conforme documento oficial.
Segundo a professora Rosemar, todo esse projeto só é possível em decorrência de uma série de parcerias com a Secretaria Estadual de Saúde. Além da UFG, com o Centro de Genética, a Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape) e a Faculdade de Medicina, há ainda a Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Goiás, a Sociedade Goiana de Ginecologia e Obstetrícia (SGGO), e parcerias com a indústria farmacêutica e o Instituto Natura. “São várias entidades do setor público e parcerias com o terceiro setor que permitem que esse projeto tenha uma dimensão tão grande.”
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