Professor de Libras Edson Franco Gomes é homenageado no Teatro Asklepiós, ao receber título de Doutor Honoris Causa pelas faculdades de Educação e de Letras

Professor de Libras Edson Franco Gomes é homenageado no Teatro Asklepiós, ao receber título de Doutor Honoris Causa pelas faculdades de Educação e de Letras

Em 29/09/2026

Foto: ASCOM/FL

 

Professor de Libras Edson Franco Gomes é homenageado no Teatro Asklepiós, ao receber título de Doutor Honoris Causa pelas faculdades de Educação e de Letras

Edson Franco Gomes, no centro, ao receber o título de Doutor Honoris Causa pelas faculdades de Educação e de Letras da UFG

O Teatro Asklepiós, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG), foi palco da solenidade de entrega de título de Doutor Honoris Causa ao professor de Língua Brasileira de Sinais (Libras) Edson Franco Gomes, concedido pelas faculdades de Educação e de Letras, da UFG, na manhã de segunda-feira (28/09). Com a presença de autoridades, colegas, amigos e familiares do homenageado, a abertura do evento contou com a apresentação cultural do Grupo de Dança do Centro Educacional Bilíngue de Surdos de Goiânia (CEBS-GO). 

Edson foi o primeiro professor surdo do Brasil a receber esta honraria de uma universidade federal, numa homenagem afetuosa e meritória. A mesa diretiva foi composta por Sandramara Matias Chaves (reitora da UFG), Camila Caixeta (vice-reitora da UFG), Amone Inácia Alves (diretora da Faculdade de Educação), Patrícia Roberta de Almeida Castro Machado (diretora da Faculdade de Letras), Edna Misseno Pires (professora da Faculdade de Educação), que acompanhou o homenageado até o palco e fez o discurso de saudação. “Hoje, essa universidade se reúne para celebrar uma vida que se confunde com a própria história da língua de sinais em Goiás”, diz Edna.

Nascido baiano, em 1940, na cidade de Jaguarari, Edson veio com a família para Goiás aos sete meses de vida, vindo morar em Baliza, no Oeste Goiano, às margens do rio Araguaia, a 415 quilômetros de Goiânia. Filho de pais ouvintes, é o primogênito de uma turma de seis, dos quais dois são surdos. Desde cedo aprendeu que num espaço ocupado por pessoas surdas, não há silêncio, nem renúncia, mas comunicação plena. Com pais muito presentes e atuantes, Edson aprendeu a ler com a mãe, ainda criança, numa velha máquina e escrever, e aos dez, o pai o levou para estudar no Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), no Rio de Janeiro, de onde voltou aos 17 anos com o diploma de secundarista nas mãos e fluente em Libras.

Em 1960, Edson começou a trabalhar como educador no Instituto Pestalozzi, de Goiânia. Em 1968, ajudou a fundar a Associação de Surdos de Goiânia (ASG), oficializada em 12 de julho de 1975. Em 1987, juntamente com seu filho e sua nora, fundou o Sistema Educacional Chaplin, a primeira escola em Goiás voltada para a formação de tradutores e intérpretes de Libras. Em parceira com a professora doutora Annete Scotti Rabelo, colaborou com o projeto pedagógico da criação do curso de Licenciatura em Letras: Libras, em 2008.

Em seu discurso, traduzido pela intérprete Lívia Alves Duarte, Edson se disse muito emocionado de estar sendo homenageado. Lembrou dos pontos fundamentais de sua trajetória. O texto de seu perfil biográfico, é categórico ao afirmar sua importância para a história da cultura goiana, principalmente pela difusão de uma língua falada por milhões de brasileiros. “Sua trajetória é um exemplo de excelência, equidade e impacto social, e seus esforços são fundamentais para a história da Libras e a luta pelos direitos das pessoas surdas no Brasil.” 

Visão amorosa e transformadora

A diretora da Faculdade de Educação, Amone Inácia, disse que a instituição “se orgulha de ser um espaço de diversidades, de compreender que o saber aqui produzido está entranhado em outros saberes. Falar do professor Edson é falar de uma vida dedicada a uma causa que é ao mesmo tempo singular e coletiva, é falar de alguém que fez de sua própria trajetória um espaço de luta, de resistência e de construção de direitos.”

Já Patrícia Roberta de Almeida Castro Machado, diretora da da Faculdade de Letras, ressaltou que a UFG, além de cumprir sua missão acadêmica, ao conceder o título de Doutor Honoris Causa ao professor Edson, também se reveste de emoção, afeto e profunda gratidão. “Falar do professor Edson, é falar do pai da Libras no Estado de Goiás, é falar de um pioneirismo generoso que abriu caminhos onde antes só havia distância, quando surdos aprendiam Libras entre si, e os ouvintes permaneciam isolados. Foi o professor Edson que teve a visão amorosa e transformadora de ensinar a Língua Brasileira de Sinais para os ouvintes, construindo a ponte necessária para que dois mundos pudessem se abraçar e conversar.”

A reitora Sandramara Matias Chaves encerrou a solenidade dizendo que, com esta homenagem ao professor Edson, a universidade reafirma sua missão de ser uma instituição de formação pautada pelo diálogo, pelo respeito e pelo acolhimento das diferenças que a compõem. “Professor Edson, sua vida e seu legado honram a Universidade Federal de Goiás e toda a sociedade goiana e brasileira. Em nome da nossa instituição, da nossa comunidade acadêmica, o nosso mais profundo respeito. Nosso muito obrigado pela sua história, pela sua trajetória, pela sua dedicação, e pela diferença que o senhor fez e faz não só para a comunidade surda, mas para toda a sociedade na sua trajetória e na sua história de vida. Muitíssimo obrigada! Parabéns por esta homenagem!”

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