“Mais do que uma crise sanitária, vivemos uma crise econômica, social e de governança” - professor da FM profere palestra em Lisboa
Em 10/09/2026
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Fernando Cupertino na One Health in Tropical Settings, em Lisboa: "Ficou demonstrado que nenhum país, por mais rico ou tecnologicamente avançado que fosse, conseguiria proteger-se isoladamente e que, num planeta profundamente interdependente, a segurança sanitária deixou de ser uma responsabilidade exclusivamente nacional para constituir um bem público global" |
O professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG), Fernando Cupertino, participou no dia 3 de setembro do One Health in Tropical Settings (“Integração de Abordagens de Saúde Única em Medicina Tropical”), evento do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT NOVA), realizado como abertura do 9º Congresso Mundial de Saúde Única, que ocorreu entre 4 e 7 de setembro em Lisboa, Portugal. Ele esteve lá como coordenador da Comissão Temática da Saúde e Segurança Alimentar e Nutricional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP-Brasil), e proferiu a palestra “Uma Só Saúde na CPLP: desafios e oportunidades para uma agenda comum”.
Em sua palestra, o professor Cupertino explicou o tema de Uma Só Saúde por uma perspectiva da bioética, em que a saúde no mundo não deve ser encarada por categorias segregadoras da escala zoológica, mas como um elemento universal do meio ambiente como um todo, incluindo seres humanos e demais espécies animais numa só cadeia de preocupação. “Durante muito tempo, organizamos as nossas políticas a partir de fronteiras relativamente rígidas: a saúde humana como responsabilidade dos sistemas de saúde; a saúde animal, dos serviços veterinários e da agricultura; e o ambiente, das instituições responsáveis pelos recursos naturais e pela proteção dos ecossistemas. Esse modelo permitiu avanços importantes, mas tornou-se insuficiente diante de problemas que, pela sua própria natureza, não respeitam essas fronteiras.”
Segundo ele, o detonador de uma nova realidade, “dramaticamente evidente”, foi a pandemia da COVID-19. “Mais do que uma crise sanitária, vivemos uma crise econômica, social e, em muitos aspectos, uma crise de governança. Ficou demonstrado que nenhum país, por mais rico ou tecnologicamente avançado que fosse, conseguiria proteger-se isoladamente e que, num planeta profundamente interdependente, a segurança sanitária deixou de ser uma responsabilidade exclusivamente nacional para constituir um bem público global. É nesse contexto que a abordagem de Uma Só Saúde ganha toda a sua importância, ao partir de uma ideia simples, mas profundamente transformadora: a de que a saúde das pessoas, a saúde dos animais e a saúde dos ecossistemas são interdependentes”, disse Cupertino, em sua palestra.
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