“É meu ápice, o meu triunfo maior” - Faculdade de Medicina e ICB concedem título de Professor Emérito a Carlos Inácio de Paula

“É meu ápice, o meu triunfo maior” - Faculdade de Medicina e ICB concedem título de Professor Emérito a Carlos Inácio de Paula

Em 27/08/2026

Texto: Gilberto G. Pereira

“É meu ápice, o meu triunfo maior” - Faculdade de Medicina e ICB concedem título de Professor Emérito a Carlos Inácio de Paula

“É meu ápice, o meu triunfo maior” - Faculdade de Medicina e ICB concedem título de Professor Emérito a Carlos Inácio de Paula

Foto 1: A partir da esquerda: Sebastião Eurico de Melo-Souza (professor aposentado da FM), Rui Gilberto Ferreira (vice-diretor da FM), Marcelo Rabahi (diretor da FM), Camila Caixeta (vice-reitora da UFG), Sandramara Matias Chaves (reitora da UFG), Carlos Inácio de Paula (novo Professor Emérito da FM), Gustavo Pedrino (diretor do ICB), José Reinaldo do Amaral (Professor Emérito da FM, representando o presidente da Academia Goiana de Medicina, professor Waldemar do Amaral), Milca Severino Pereira (ex-reitora da UFG). 

Foto 2: No centro, Carlos Inácio de Paula posa com familiares e amigos

Aos 83 anos de idade, depois de dedicar décadas de sua vida à docência, décadas pesquisando sobre o câncer, doando os mais refinados fios de sua alma que ajudaram a tecer as esperanças de tanta gente, depois de ter criado a Residência Médica em Cancerologia no Hospital Araújo Jorge, o Instituto de Ensino e Pesquisa da mesma casa, a Clínica São Camilo, o Centro Brasileiro de Radioterapia, Oncologia e Mastologia (Cebrom), entre tantas outras realizações, Carlos Inácio de Paula subiu emocionado ao palco do Teatro Asklepiós, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG), na noite de segunda-feira (24/08), para receber o título de Professor Emérito, aprovado pelo Conselho Universitário, outorgado pela Reitoria e concedido, em conjunto, pela FM e pelo Instituto de Ciências Biológicas (ICB-UFG).

E emocionado, Carlos Inácio ficou até o fim. Ouviu o discurso de saudação do  amigo e professor aposentado da FM, Sebastião Eurico de Melo-Souza, fez seu discurso, ouviu os discursos do diretor da FM, Marcelo Rabahi, e da reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, e desceu do palco, ainda movido pela emoção genuína, para tirar fotos com seus familiares e amigos. 

Segundo Sebastião Eurico, o título de Professor Emérito concedido a seu amigo reflete com justiça o talento e a capacidade de Carlos Inácio para exercer a medicina em todas as extensões possíveis, da prática, da pesquisa, do ensino, da orientação e da gestão. “É o reconhecimento de seus méritos pela sua produtiva carreira, com um legado de grandes realizações. Estou muito honrado por ter sido convidado por ele para fazer esta apresentação”, disse.

Em seu discurso, Carlos Inácio recupera o tempo da infância para refazer os caminhos que percorreu e as estradas que abriu para chegar ao momento de mais uma consagração, que ele considera sua grande glória. “Nasci em Delfinópolis, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e cresci em Inhumas, Goiás. Aquela criança do Sul de Minas, o moleque da goiabeira, chegou aqui. É meu ápice, o meu triunfo maior, ser Professor Emérito da Faculdade de Medicina da UFG.” 

Ensino, aprendizado e tertúlias

Sua trajetória de formação é plural, tendo feito o Ensino Médio em Belo Horizonte, a graduação na Faculdade de Medicina da UFG, a Residência Médica em São Paulo (Hospital do Câncer), e uma série de especializações e produções científicas em torno da especialidade de Cancerologia. O professor Carlos Inácio fez muito pela sociedade, sua carreira é grandiosa, mas em seu discurso, o que ele valoriza está ligado à esfera do ensino, do aprendizado e das tertúlias. 

“Descobri que nasci para ter a felicidade de ajudar as pessoas, e que ensinar poderia ampliar minha capacidade de ajudar minha comunidade. Enfrentei o desafio de implantar a disciplina de Biofísica no ICB, essencial na grade curricular de diversos cursos, medicina, farmácia, odontologia, veterinária e ciências biológicas. Outro objetivo era melhorar a prática da oncologia. Mas meu grande trabalho foi a criação do Instituto de Ensino e Pesquisa, do Hospital Araújo Jorge. Outro orgulho é ocupar a cadeira 12 da Academia Goiana de Medicina (AGM)”, comenta o professor. 

Ele é egresso da famosa quinta turma da FM, com 80 alunos, que ingressou em 1964, o primeiro ano da ditadura militar, uma turma que vivenciou anos turbulentos de perseguição a professores e alunos, mas também anos de muito trabalho e realização, de sinergia, de solidariedade, numa troca triunfal de saberes que elevaram o conceito da FM para outro patamar. Ao receber o título de Professor Emérito, Carlos Inácio se sente fechando um ciclo bonito e vitorioso que começou naquela época, e talvez por isso tenha se emocionado tanto. 

Ele não chegou a lecionar na Faculdade de Medicina, propriamente. Sempre foi professor do ICB, que tem disciplinas ofertadas a alunos de medicina do primeiro e do segundo anos. Mas Marcelo Rabahi fez questão de levar o nome dele para o Conselho Diretor da FM, e de lá para o Conselho Universitário, com a anuência do diretor do ICB, o professor Gustavo Pedrino, e o resto já é história. 

De acordo com Rabahi, quem estudou com Carlos Inácio tem memória viva do que aprendeu, porque o que ele ensinava era transmitido como um acontecimento, vinha como epifanias, e esse tipo de memória não pode ser perdido. “É nosso compromisso preservar toda a trajetória que professores como Carlos Inácio construíram nessa instituição. Sua trajetória, professor, nos serviu não só de inspiração e motivação, mas também de alerta de que precisamos conservar abertos esses caminhos que já foram traçados por vocês, pois uma conquista é sempre coletiva, mas muitas vezes nosso ego não nos deixa ver, e é isso que precisamos entender. Tem palavras que carregam consigo uma ideia maior do que o significado, e epifania é uma delas, que é o instante em que algo se revela. A trajetória profissional de Carlos Inácio apresenta epifanias. É uma honra muito grande poder estar aqui neste dia, em nome da Faculdade Medicina, nesta participação em seu título de Professor Emérito”, disse o diretor da FM.

A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, também lembrou a importância das trajetórias e da memória dos professores que contribuíram para o desenvolvimento da universidade como um todo. “Hoje, a UFG congrega mais de 40 mil pessoas, e oferta 114 cursos de graduação. Ela se coloca entre as melhores universidades do mundo, e isso só foi possível por causa de pessoas como o professor Carlos Inácio de Paula, desenvolvendo seu trabalho com competência, compromisso, ética e responsabilidade. A UFG e a Faculdade de Medicina se sentem orgulhosos de poder conceder este título tão merecido. Parabéns!”

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