FM recebe o IV Encontro Nacional da Rede Brasileira de Universidades Promotoras de Saúde, que vai até amanhã (27/08)
Em 26/08/2026
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Na mesa diretiva, a partir da esquerda: Naraiana de Oliveira Tavares (organizadora do evento), Alcindo Antônio Ferla (coordenador da Rede Unida), Irán Arroyo (presidente da RIUPS), Larissa Polejack (coordenadora nacional da ReBraUPS), Sandramara Matias Chaves (reitora da UFG), Maria Cristina Hoffmann (consultora nacional para o Envelhecimento Saudável em Saúde Mental, da OPAS, e representante da OPAS-OMS), Larissa de Almeida Nobre Sandoval (vice-presidente da BRAPEP), Marcelo Rabahi (diretor da FM-UFG) |
A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG) é sede do IV Encontro Nacional da Rede Brasileira de Universidades Promotoras de Saúde (ReBraUPS). O evento, que ocorre no Teatro Asklepiós, da FM, começou ontem (25/08) e vai até amanhã (27/08). Esta edição traz como tema a comemoração dos 40 anos da Carta de Ottawa e a consolidação de diretrizes para universidades saudáveis, tendo como principais eixos de debate a saúde mental, a equidade, a sustentabilidade e a integração no ensino superior.
A Carta de Ottawa é um documento da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 1986, durante a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, em Ottawa, no Canadá, que estabeleceu as bases da promoção da saúde moderna, tirando o foco que ficava antes na doença para focar no bem-estar físico, mental e social das pessoas, por meio de uma série de questões envolvendo condições básicas como paz, educação, habitação, renda e justiça social.
A ReBraUPS busca esse equilíbrio nos espaços universitários. Seu objetivo é promover a saúde a partir das universidades, de seus pares, num diálogo permanente entre a coletividade e a sociedade como um todo, porque ninguém produz saúde sozinho, como disse Larissa Polejack, coordenadora nacional da ReBraUPS. “As universidades não são apenas o tripé Pesquisa, Ensino e Extensão. Nossa potência está naquilo que podemos construir coletivamente, naquilo que podemos articular internamente e na capacidade de reconhecermos uns com os outros a potência do encontro.”
O diretor da FM-UFG, Marcelo Rabahi, deu as boas-vindas aos participantes do Encontro Nacional da ReBraUPS falando justamente da necessidade que têm as instituições, e todos nós como cidadãos, de olharmos para a vida como potência produtora de sentido da existência. Para isso, precisamos ter melhores condições de trabalho, para não sermos vítimas do presenteísmo, “que são pessoas indo trabalhar sem forças para exercer sua capacidade de trabalho”, diz Rabahi. “Entender todo esse movimento que está acontecendo, e a UFG participando para que as pessoas - professores, colaboradores, técnicos e alunos - possam ter efetivamente uma saúde integral, é um ponto fundamental”, conclui.
Alcindo Antônio Ferla, coordenador da Rede Unida, associação de profissionais de saúde que defendem o SUS e saúde pública de qualidade, lembrou de como vivemos num ambiente social tóxico e como as universidades têm sofrido sintomas desta crise civilizatória social. “Comecei a perceber que a razoabilidade das nossas relações precisa de bastante ar, porque não estamos respirando. Nossas ações de promoção de saúde têm de dialogar com as nossas ações civilizatórias, dialogar para produzir novas relações, porque estamos vivendo uma asfixia importante, e que bom que já estamos no ciclo de superação.”
Nenhuma universidade promove saúde sozinha
Quem também ressaltou a importância da coletividade na promoção de saúde, procurando ampliar o diálogo entre instituições, países e até continentes, foi a vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa em Prevenção e Promoção da Saúde (BRAPEP), Larissa de Almeida Nobre Sandoval, goianiense que ganhou o mundo, trabalhando com prevenção de saúde na Europa e na América Latina, e que disse se sentir honrada em voltar a Goiânia para participar do Encontro Nacional da ReBraUPS.
“Nenhuma universidade promove saúde sozinha, e nenhuma sociedade consegue enfrentar seus desafios sozinha. Minha trajetória me colocou em diálogo com universidades, com territórios, redes internacionais, mas sobretudo me colocou em contato com pessoas. Afinal, as redes não são feitas de instituições, são feitas de pessoas, de muitas mulheres, inclusive. São as pessoas que criam vínculos, sustentam os projetos, e também nos emocionam, nos inspiram e nos dão vontade de continuar construindo juntos. (…) Por isso, conectar ciência, políticas públicas e práticas significa também conectar conhecimento à defesa dos direitos, à equidade, à democracia. É nesse sentido que considero tão potente estarmos reunidos aqui hoje”, diz Larissa.
O presidente da Rede Ibero-Americana de Universidades Promotoras de Saúde (RIUPS), o porto-riquenho Irán Arroyo, elogia a experiência brasileira em promoção de saúde e o próprio sistema de saúde pública. “A promoção de saúde tem como Norte uma resposta política à situação social geral e terrível no planeta. Neste sentido, a America Latina observa muito de perto a experiência brasileira. Pará nós, é uma referência para toda a região na saúde pública, da saúde coletiva, na medicina social. É um reconhecimento profundo”, diz.
Já Maria Cristina Hoffmann, consultora nacional para o Envelhecimento Saudável em Saúde Mental, da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), e representante da OPAS-OMS, como psicóloga sanitarista, chama a atenção para o tema da saúde mental, que urge pelos processos de transição que estamos vivendo, diz ela. “Estamos vivendo em pleno processo de várias transições, demográfica, econômica, política, tecnológica. Precisamos compactuar essas transições com o território onde a vida acontece”, avalia.
Por ambientes saudáveis
A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, fechou o ciclo introdutório do evento, na mesa diretiva, e ressaltou as temáticas relevantes para o contexto da saúde nas universidades brasileiras. “Fazer parte desta rede de universidades promotoras de saúde é algo extremamente significativo. Temos uma expectativa muito grande, exatamente porque vivemos num contexto em que falar de promoção de saúde é algo fundamental”, diz a reitora.
Segundo ela, vivemos momentos de muitos adoecimentos, tanto do ponto de vista psicológico quanto físico. “Promover saúde passa por se preocupar com diferentes ações dentro da universidade que possam contribuir para que todas as pessoas tenham melhores condições de trabalho. Que todos se relacionem melhor e possam vivenciar ambientes saudáveis no cotidiano de suas atividades no âmbito da universidade. A ReBraUPS ocupa um papel fundamental neste sentido.”
Ao longo desses três dias, o IV Encontro Nacional da ReBraUPS vai mapear um vasto campo de questões que dizem respeito ao que a Carta de Ottawa defendeu como o verdadeiro e atual campo da saúde, que deve ser considerado dentro e fora das universidades, como saúde mental, sustentabilidade, saúde planetária, e no último dia, uma leitura da Carta de Goiânia, que será escrita no evento para ser aprovada no próprio Encontro.
Para saber mais sobre o evento, e acompanhar a programação, acesse o link aqui (IV Encontro Nacional da Rede Brasileira de Universidades Promotoras de Saúde).
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