Nasce o NEXO - Núcleo de Experiência e Orientação Docente, da Faculdade de Medicina da UFG
Em 07/08/2026
Texto: Gilberto G. Pereira
![]() |
|
Professora Edna Regina Silva Pereira conversa com docentes, técnicos-administrativos e autoridades presentes na apresentação do NEXO, na FM |
A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG) apresentou na terça-feira (04/08) o Núcleo de Experiência e Orientação Docente (NEXO), um centro de apoio de natureza consultiva, normativa e de assessoramento aos professores da instituição nas questões didáticas e pedagógicas, coordenado por Edna Regina Silva Pereira e Silvia Cristina Pricinote. Sua estrutura é estratégica e está diretamente ligada ao organograma da direção da FM.
A professora Edna Regina diz que o NEXO vai “promover educação permanente e formação continuada para professores, preceptores e profissionais direta ou indiretamente vinculados às atividades de ensino no curso médico”. Lembrando que, por se tratar de uma universidade pública, “esse trabalho ocorrerá em consonância com os princípios do SUS e com a integração ensino-serviço-comunidade, numa metodologia de ensino humanizada”, diz.
Ela também lembra que o NEXO vai garantir à FM uma avaliação mais qualitativa, diferente do que o Sistema de Cadastro de Atividades Docentes (SICAD) e a Comissão de Avaliação Docente (CAD) fazem, que é conferir a capacidade quantitativa das instituições. “Às vezes, depois que passa o estágio probatório, você vai acendendo na carreira e vê que ficam faltando algumas coisas. Nosso papel será ajudar o professor a compreender qual seu papel na instituição, como ele pode construir essa carreira, e que ela seja boa tanto para ele quanto para a instituição.”
Dentro do objetivo geral do NEXO, há a preocupação com o bem-estar das pessoas. “O que queremos é que seja um bom momento estar aqui. Queremos que a FM seja um lugar onde o professor gosta de estar, compreendendo o que é a universidade e compreendendo também o que é a Faculdade de Medicina, em sua relação com a comunidade, por exemplo, e como o professor se desenvolve nesse meio”, diz Edna.
De acordo com o diretor da FM Marcelo Rabahi, que esteve presente na cerimônia de apresentação, além da preocupação com quem está chegando, o projeto foi gestado dentro da ideia de resgatar o ânimo dos docentes de quando quiseram ser professores de medicina, mostrando a eles a importância e a beleza de ensinar, que era o que sentiam quando fizeram o concurso, mas que podem ter perdido ao longo dos anos e das dificuldades. “Muitos de nós entramos com esse sonho de querer dar aula na FM, e acabamos nos perdendo. O motivo disso não é o interesse individual. Talvez seja a forma como acolhemos esses professores, e o acolhimento é o motivo principal da construção do NEXO.”
Segundo ele, o projeto foi ganhando outros desdobramentos, como a ideia da oficina pedagógica, de capacitação e avaliação, cujo primeiro módulo foi realizado logo após a cerimônia, ministrada pela cardiologista Roberta Helena, que acabou de fazer seu mestrado no programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde da FM. A dissertação de Roberta aborda a percepção dos discentes sobre o que é ser um bom professor de medicina. Na oficina, os professores puderam analisar sua concepção de ser professor a partir da percepção teórica, das Diretrizes Curriculares Nacionais, e da perspectiva dos estudantes analisados no trabalho da Roberta.
Ensinando o outro a curar o outro
Na sua estrutura estratégica de ressignificar o mundo e as práticas docentes na medicina, uma das principais ferramentas é o compartilhamento de experiência, de troca de ideias e um absoluto exercício de alteridade, já que o outro aparece duas vezes na vida dos professores da FM, como aluno e como paciente, ou seja, eles ensinam o outro a curar o outro. Trata-se de uma realização humanista em que o centro das atividades são as pessoas, razão pela qual o professor Marcelo anunciou o NEXO como um pontapé para o estágio probatório da própria FM.
“É o que queremos que os nossos professores que estão entrando agora desenvolvam dentro desses três primeiros anos. E a partir desse momento, estaremos muito próximos deles. A universidade tem o seu estágio probatório, com todas as suas determinações, que têm de ser cumpridas, mas esse é o pontapé para nosso estágio probatório”, comentou o diretor da FM.
A pró-reitora de Graduação da UFG, Lueli Nogueira, também prestigiou o evento, e destacou em sua fala justamente a formatação do projeto e da preocupação em construir um sentido comum em torno de seus pilares humanos. “Vocês foram além de uma compreensão da importância da formação do docente.”
Ela lembrou que, de fato, a universidade administra os processos de estágio probatório, mas a inciativa da FM é fundamental. “Pensar na formação desse professor que ingressa é extremamente necessário. É o momento para isso. Não é só pensar no profissional que queremos formar e que devemos formar, mas também pensar no que devemos formar para esta sociedade”, diz a pró-reitora.
Categories: NOTÍCIA
