Vinícius Martins é um dos representantes da nova geração de talentos que a FM forma este ano: desde 2023, mais de 100 artigos publicados

Vinícius Martins é um dos representantes da nova geração de talentos que a FM forma este ano: desde 2023, mais de 100 artigos publicados

Em 30/07/2026

Texto: Gilberto G. Pereira

Vinícius Martins é um dos representantes da nova geração de talentos que a FM forma este ano: desde 2023, mais de 100 artigos publicados

Vinícius Martins, aluno do sexto ano da Faculdade de Medicina da UFG, durante apresentação no Euro-PCR, um dos maiores e mais importantes congressos de medicina cardiovascular do mundo: sonho de prestar bons serviços numa das subespecialidades mais delicadas da prática médica, a cardiologia intervencionista

Aluno do sexto ano da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG), Vinícius Martins Rodrigues Oliveira tomou gosto pela pesquisa quando estava no terceiro ano. De lá para cá, demonstrou uma fúria arrebatadora na vontade de pesquisar, publicar e apresentar artigos e resumos expandidos no Brasil e no exterior. Já foi para o Estados Unidos (duas vezes, Filadélfia, em 2023, e Chicago, em 2024), Espanha (Barcelona, em 2025) e, no semestre passado, foi a Paris participar do Euro-PCR, um dos maiores e mais importantes congressos de medicina cardiovascular do mundo, realizado no consagrado centro de convenções Palais des Congrès, na capital francesa, para 13 mil pessoas.

Nessas três primeiras viagens, ele participou de congressos de cardiologia geral. Mas em Paris, entrou num seleto grupo de pesquisadores da subespecialidade de cardiologia intervencionista (hemodinâmica). “Meu trabalho foi selecionado entre os melhores do Congresso, e aí, participei de uma competição chamada PCR Got Talent. Não venci, mas senti orgulho ao me ver ali entre professores doutores que, horas antes, haviam me dado aula numa das sessões oferecidas aos participantes. O cara que ganhou é professor da Columbia University, de Nova York”.

Vinícius Martins é de Rio Verde, e tem 24 anos. Agora em agosto, ele entra no seu último período da Faculdade de Medicina, finalizando o internato e se preparando para fazer a residência em cardiologia, especialidade que escolheu para exercer a profissão. “Entrei na faculdade querendo fazer neurocirurgia. No segundo ano, comecei a me interessar por cardiologia, por ter um orientador cardiologista [Antônio Menezes], e comecei a fazer pesquisa. No terceiro ano, fui para o congresso na Filadélfia, apresentar um dos temas que tínhamos desenvolvido, comecei a pegar gosto, e não parei mais de produzir. Já são mais de 100 textos.”

Após dezenas de artigos e resumos expandidos publicados em anais de congressos, começou a publicar em revistas acadêmicas especializadas, que têm um rigor diferente e mais acurado nas submissões, com revisões feitas por pares. Em 2024, teve seu primeiro artigo publicado na Current Cardiology Reports, proeminente publicação científica dos EUA, sediada em Cleveland, Ohio, um braço da editora internacional Springer Nature. A partir de 2025, passou a produzir muito mais. “Publiquei uns 18 artigos. E continuei produzindo, fui a congressos,  onde apresentei vários trabalhos, e, a partir daí, comecei a revisar para algumas revistas”, diz Vinícius.  

De dentro de casa para o mundo

Sua carreira só está começando, mas já lhe dá um vislumbre do que pode fazer. Ele quer atuar como clínico, professor e pesquisador. Há, no entanto, espaço para mais um ramo a que ele poderia lançar mão, o de escritor de livros de divulgação científica. Afinal, dentro deste nicho, além de revisor, também é editor. Ao ser reconhecido pelos pares no exercício de revisão, acabou entrando para o grupo de editores da Heart Rhythm, prestigiosa revista de cardiologia com sede em Boston. “São 202 editores da revista no mundo todo. No Brasil, somos quatro, dos cinco editores brasileiros.” O quinto é André Dávila, diretor do departamento de arritmia do Centro Médico Beth Israel Deaconess, da Universidade de Harvard.

Aqui na FM, após trabalhar com o professor Antônio Menezes, “a primeira pessoa que me mostrou pesquisa dentro da Faculdade”, ele está sob orientação do professor Humberto Graner, que o catapultou para os congressos e publicações internacionais. Como estudante de graduação, a maioria dos artigos que Vinícius produz é assinada com um sênior. Este ano, por exemplo, seus últimos artigos foram assinados em co-autoria com o doutor Deepak L. Bhatt, uma sumidade da cardiologia dos Estados Unidos, diretor do Mount Sinai Fuster Heart Hospital, e professor de Medicina Cardiovascular da Escola de Medicina Icahn do Mount Sinai, em Nova York. Está tudo na internet. É só pesquisar.

Vinícius tem voz tranquila e uma serenidade que deve valer muito diante de um paciente real, quando estiver apto a clinicar. Seu talento vem sendo engendrado dentro do sonho de prestar bons serviços numa das subespecialidades mais delicadas da prática médica, a cardiologia intervencionista, que lida com diagnósticos e tratamento de doenças cardíacas por cateterismo. Por enquanto, ainda não é médico, mas já se considera pesquisador, e como tal, o compromisso de fazer a diferença já aparece. 

“Como pesquisador, meu sonho é poder fazer a diferença na vida de uma pessoa com o que publico aqui, mesmo que ela viva distante de mim, em algum canto do mundo. Conseguir causar impacto global com algo que faço dentro da minha casa, pesquisando no meu computador, é algo incrível”, diz nosso futuro médico.

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