“A confiança continua sendo o primeiro medicamento” - José Garcia Neto toma posse na Academia Goiana de Medicina
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A partir da esquerda: Frank Cardoso Barbosa (assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde), Lueiz Amorim Canedo (presidente da Unimed Goiânia), Sandramara Matias Chaves (reitora da UFG), Sérgio Alberto Vencio (representante do governador de Goiás), Waldemar Naves do Amaral (presidente da AGM), Juarez Antônio de Sousa (secretário-geral da AGM), Washington Luiz Ferreira Rios (presidente da Associação Médica de Goiás), Clidenor Gomes Filho (presidente do Conselho de Administração do Sicoob), Marcelo Rabahi (diretor da Faculdade de Medicina da UFG), e ao púlpito, o empossado, professor José Garcia Neto |
Na presença de autoridades, colegas, amigos e familiares, o cirurgião cardiovascular e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG), José Garcia Neto, tomou posse como membro da Academia Goiana de Medicina (AGM), no dia 24 de julho, passando a ocupar a cadeira de número 29, cujo antecessor é o radiologista Carlos Alberto Ximenes, que se tornou acadêmico emérito. A solenidade realizada no auditório do Sicoob Unicentro BR, em Goiânia, marca o reconhecimento de uma trajetória brilhante e de imensa dedicação à saúde e à ciência.
A mesa diretiva foi composta por Frank Cardoso Barbosa (assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde), Lueiz Amorim Canedo (presidente da Unimed Goiânia), Sandramara Matias Chaves (reitora da UFG), Sérgio Alberto Vencio (representante do governador de Goiás), Waldemar Naves do Amaral (presidente da AGM), Juarez Antônio de Sousa (secretário-geral da AGM), Washington Luiz Ferreira Rios (presidente da Associação Médica de Goiás), Clidenor Gomes Filho (presidente do Conselho de Administração do Sicoob) e Marcelo Rabahi (diretor da Faculdade de Medicina da UFG).
Em seu discurso de abertura, o presidente da AGM, professor Waldemar Naves do Amaral, fez um louvor à medicina. “As academias têm a função de serem a vanguarda da classe médica e serem referências dos médicos recém-formados, para que possam caminhar dentro de uma linha dessa profissão extraordinária, que é a medicina.”
O renomado oftalmologista goiano, professor Marcos Ávila, proferiu o discurso de saudação oficial ao novo acadêmico. “A AGM nasceu para preservar a memória daqueles que engrandecem a medicina em nosso Estado”, diz. “Mais do que registrar currículos, cultiva exemplos, mais do que reconhecer carreiras, procura distinguir vidas que ultrapassaram os limites da profissão e se transformaram em patrimônio cientifico, moral e humano da sociedade. É exatamente este o significado da sessão solene que hoje nos reúne.”
Ao receber o professor José Garcia Neto como novo membro da AGM, Ávila diz que a entidade não recebe apenas um extraordinário cirurgião cardiovascular, mas um visionário humanista que soube cumprir sua missão. “A AGM hoje não recebe apenas um professor prestigiado da Faculdade de Medicina da UFG, não recebe apenas um dos mais destacados gestores universitários brasileiros, recebe um homem que fez da medicina uma forma de servir, da universidade pública, uma missão, e da formação de pessoas, o maior legado da existência.”
Presente na mesa diretiva, a reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, também discursou na solenidade. “Receba os cumprimentos da Universidade Federal de Goiás, da nossa equipe de gestão, especialmente, por esta merecida distinção. O ingresso nesta Academia representa o reconhecimento de uma trajetória construída com dedicação à medicina, à ciência e à formação de gerações de profissionais. Que esta nova etapa, amplie as possibilidades de sua contribuição à comunidade acadêmica, à sociedade goiana e ao desenvolvimento da medicina brasileira”, disse ela ao professor José Garcia Neto.
Graduado em medicina, em 1984, pela UFG, onde fez Residência Médica em Cirurgia Geral, com especialização em Cirurgia Cardiovascular, mestrado em Clínica Cirúrgica e doutorado em Cirurgia Cardiovascular, tudo pela Universidade de São Paulo (USP), José Garcia Neto fez uma carreira brilhante na prática médica, na pesquisa, no ensino e na gestão, tendo sido diretor-geral do Hospital das Clínicas (HC-UFG). Em todas as áreas que atuou, foi consagrado pelos pares e pela sociedade goiana.
A arte de compreender o sofrimento humano
Seu discurso foi uma crônica emocionante, muito bem elaborada e arguta, costurando com sutileza a crítica social, a relação entre médico e paciente, a vida nos hospitais, e a melhor prática do médico que sabe olhar para o humano. “Quando eu era jovem, imaginava que envelhecer significava acumular respostas. Hoje, penso exatamente o contrário. Envelhecer é aprender a fazer perguntas melhores. Talvez seja esta a razão mais profunda de uma academia. Ela não reúne pessoas que encontraram todas as respostas, reúne homens e mulheres que nunca perderam a coragem de continuar perguntando.”
Segundo o professor José Garcia Neto, a medicina nunca avançou tanto, nunca se conheceu tão profundamente o corpo humano, mas ainda há uma coisa que permanece igual desde sua criação. “Nenhuma tecnologia substituiu o instante em que um paciente olha para o médico e deposita nele a própria esperança. A confiança continua sendo o primeiro medicamento, e continuará sendo o último.”
Essa reflexão humanista dá o tom de todo o seu discurso. “Os médicos estudam anatomia, fisiologia, farmacologia, cirurgia, mas existe uma disciplina que nenhuma faculdade consegue ensinar completamente: a arte de compreender o sofrimento humano. Ela não está nos livros, não está nos corredores, nos quartos, nas madrugadas, naquele instante em que seguramos uma mão sem saber exatamente o que dizer. Aprendi com os anos que existem momentos em que um médico cura, existem momentos em que apenas alivia, e existem momentos em que já não pode fazer nenhuma das duas coisas, mas ainda pode permanecer, e às vezes permanecer é a forma mais elevada de cuidar.”
Sabendo olhar para o humano, o professor lembrou dos seus afetos, da sua família, e finalizou seu discurso com uma belíssima lição de amor aos seus. “Deus nunca escondeu a esperança em lugares extraordinárias. Nós é que insistimos em procurá-la onde ela nunca esteve. Ela mora nas coisas simples, naquelas que, por serem simples, quase sempre passam despercebidas”, diz o novo acadêmico da AGM.
A esperança, diz ele, “mora nos abraços que nos espera no fim do dia, na mesa onde a família se reúne. (…) Hoje, a alguém me perguntasse qual foi a maior realização da minha existência, talvez esperando ouvir a história de uma cirurgia particularmente difícil, ou de uma conquista acadêmica, talvez imaginando um hospital, uma universidade, uma publicação cientifica, eu responderia com apenas dois nomes, José Vítor e Lucas. (…) Durante muitos anos pensei que estava formando meus filhos. Hoje sei que essa conta nunca fechou desse jeito. Eles é que simplesmente foram formando o pai que me tornei.”
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