Integrantes da Liga de Inteligência Artificial da FM falam sobre o uso de IA na área de saúde e na vida cotidiana das pessoas

Integrantes da Liga de Inteligência Artificial da FM falam sobre o uso de IA na área de saúde e na vida cotidiana das pessoas

 

Integrantes da Liga de Inteligência Artificial da FM falam sobre o uso de IA na área de saúde e na vida cotidiana das pessoas

João Henrique Ribeiro e Bruna conversaram sobre o uso da IA com estudantes de ensino médio da Escola CEPI Ruy Brasil Cavalcante, de Piracanjuba, durante o programa Integração Médica para Apoio às Comunidades e Tratamento Orientado (Impacto), realizado em junho de 2026

A relação da medicina com a Inteligência Artificial é um caminho sem volta. Médicos, professores e pesquisadores da área são uníssonos em confirmar isso. A preocupação agora é como esse caminho será trilhado. A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG) participa desse debate em diversas frentes, incluindo o envolvimento direto dos alunos dentro da Liga Acadêmica de Inteligência Artificial (LIA), que forma um grupo de estudos sobre a prática, o ensino e o uso da IA no universo da medicina, levando em conta linguagem, contexto e impacto social.

Integrantes da LIA debateram esse assunto durante a primeira edição do programa Integração Médica para Apoio às Comunidades e Tratamento Orientado (Impacto), na cidade de Piracanjuba, no dia 13 de junho, organizada pela Coordenação de Extensão da FM. Na ocasião, eles conversaram com estudantes do ensino médio da Escola CEPI Ruy Brasil Cavalcante. Falaram do bom uso da IA, de modo geral, e de como a medicina está inserida nesse ambiente. Eles fizeram uma introdução ao complexo mundo da IA.

Segundo plataformas de computação, como a IBM e o Google Cloud, a IA é um campo da ciência da computação dedicado a criar sistemas capazes de simular o raciocínio, o aprendizado, o reconhecimento de padrões e tomadas de decisão que exigem uma complexidade que só a inteligência humana seria capaz de realizar. Um robô, por exemplo, é uma peça mecânica, que pode ser muito sofisticada, mas apenas quando lhe é aplicada uma tecnologia de IA é que ele é capaz de realizar coisas cada vez mais incríveis como fazer uma cirurgia de alta precisão. Além de campo científico, por metonímia, a IA também é o produto desse campo, como as IAs generativas Gemini, ChatGPT e DeepSeek.

Boa parte da conversa que os dois membros da LIA, João Henrique Ribeiro e Bruna, tiveram com os alunos de Piracanjuba ficou em torno das IAs generativas e de análise, como as utilizadas nos wearables (dispositivos usáveis, como smart watchs), mas foi muito proveitosa porque essas tecnologias são o que todo mundo usa, inclusive a medicina básica.

Dos dispositivos vestíveis aos diagnósticos acelerados

Segundo João Henrique, a medicina já conta com dispositivos vestíveis, como  relógios e anéis inteligentes para uso de análise e diagnóstico no cotidiano das pessoas. Sensores de saúde com tecnologia de IA são inseridos nesses dispositivos , e eles fazem alertas importantes, transformam sinais do corpo em diagnósticos, medem os batimentos cardíacos, a saturação sanguínea. “Eles podem registrar até a temperatura, e fazer previsões da sua saúde, quando está ficando gripado, por exemplo, se vai adoecer, se está com alguma arritmia, princípio de infarto. Eles acendem um alerta para você procurar um médico.” 

Alguns relógios têm sensor de queda, que quando a pessoa cai, ele é automaticamente acionado para chamar o Samu. Outra maravilha da IA, diz João Henrique, são os diagnósticos acelerados, que são protocolos clínicos que treinam a IA para identificar ou descartar doenças graves num tempo bem menor do que o usual.  Os diagnósticos acelerados conseguem detectar uma doença antes que seja clinicamente perceptível para o olhar humano. 

“Em conferências médicas, já ouvi relatos sobre treinarem a IA para ler imagens de mamografia, conseguindo detectar o tumor vários meses antes de o próprio médico conseguir ler aquilo na imagem. Isso é importante porque, quando se trata de câncer, quanto mais precoce for o tratamento, maiores são as chances de sobrevida”, diz João Henrique.

Eles também comentaram sobre o uso cotidiano das IAs. “Qualquer área tem uma possibilidade de uso da IA”, disse Bruna. Segundo ela, hoje, a grande demanda é por engenharia de prompts, que guiam a simulação de raciocínio da máquina. Eles estão para os dias de hoje assim como esteve a habilidade de usar o pacote office nos anos 1990 e 2000. Quanto mais refinados são os prompts, melhor são os resultados da busca do usuário. 

“Dá para montar equipes de pesquisa com a IA: você monta uma IA para fazer uma ideia de pesquisa, depois monta outra para buscar a bibliografia, outra que vai analisar aquilo, e uma outra IA para fazer o path checking [verificação dos caminhos possíveis que um gente de IA pode seguir para chegar a um objetivo]”, disse João Henrique. 

“Mas, diante de tudo isso, a primeira coisa é saber usar a IA, para não se tornar refém dela”, diz Bruna. Não entender os caminhos da IA é se jogar no abismo. Os riscos de uso da Inteligência Artificial existem, e precisam ser levados em conta, tanto por profissionais da saúde, quanto pela população de modo geral. 

No caso da medicina, diagnósticos e condutas equivocadas por vieses algorítmicos, vazamento de dados clínicos altamente sensíveis, perda da humanização no atendimento são preocupações reais. De acordo com as próprias plataformas de computação, a maior ameaça é o autodiagnóstico e a dependência da IA sem supervisão médica.

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