Liga de Pediatria chama a atenção para o tempo de tela das crianças: até os dois anos, zero pixel
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Alunos da Faculdade de Medicina da UFG, membros da Liga de Pediatria, participaram da primeira edição do Impacto, em Piracanjuba, no dia 13 de junho |
A Coordenação de Extensão da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG) faz um trabalho de fôlego no gerenciamento e articulação de programas que conectam a sociedade com o conhecimento médico, como o Integração Médica para Apoio às Comunidades e Tratamento Orientado (Impacto), cuja primeira edição foi realizada em Piracanjuba, no dia 13 de junho, e levou as 21 Ligas Acadêmicas de Medicina para atender a população local.
A Liga de Pediatria atendeu dezenas de pessoas, na ocasião, quando os estudantes, sob a orientação de professores, ouviram e deram assistência aos agentes comunitários, familiares e quem mantinha contato com crianças. Eles abordaram muitas questões e fizeram várias orientações, como sobre o desengasgo infantil, mas o principal assunto foi sobre o tempo de tela.
A recomendação é que os pais mantenham a criança longe das telas (zero tela) pelo menos até os dois anos de idade, uma orientação que vem desde as principais organizações médicas, como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). E o motivo é básico: a criança passa por estágio de desenvolvimento cerebral e de maior neuroplasticidade justamente nesta fase, buscando estímulos bidimensionais, táteis e humanos. A interação com telas e vídeos só atrapalharia essa dinâmica humana.
Segundo a Liga, a Pediatria é uma especialidade médica dedicada à assistência biopsicossocial da criança, do nascimento até a adolescência. Nos dias de hoje, olhando o entorno infantil, esses cuidados até parecem naturais, mas tudo isso é uma construção social, necessária e indispensável. Há alguns séculos, a criança sequer era notada.
De acordo com o historiador francês Philippe Ariès, em seu livro História Social da Criança e da Família, até o começo da Baixa Idade Média, a infância não era representada nas pinturas. “É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta dele habilidade [dos artistas]. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. O autor diz que a valorização infantil se deu com a ascensão social da burguesia, lá pelo século XVII.
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