UFG concede título de Doutor Honoris Causa ao médico português Rui Nunes
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A partir da esquerda: Rui Gilberto Ferreira (vice-diretor da FM), Marcelo Rabahi (diretor da FM), Camila Cardoso Caixeta (vice-reitora da UFG), Sandramara Matias Chaves (reitora da UFG), José Hiran Gallo (presidente do CFM), Waldemar Naves do Amaral (presidente da Academia Goiana de Medicina) e, ao púlpito, o Doutor Honoris Causa Rui Nunes |
O professor de bioética da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), Rui Nunes, foi agraciado ontem (06/07) com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás (UFG), a maior honraria da instituição. A solenidade de entrega do título ocorreu no Teatro Asklepiós, da Faculdade de Medicina da UFG. Estavam presentes no evento, professores, autoridades, amigos do médico, além da mulher, Cristina Nunes, e da filha, Sofia Nunes, que o acompanharam desde Portugal para prestigiá-lo na homenagem.
Na mesa diretiva composta para homenagear Rui Nunes, estavam presentes junto com ele a reitora da UFG Sandramara Matias Chaves, a vice-reitora da UFG Camila Cardoso Caixeta, o diretor da FM Marcelo Rabahi, o vice-diretor da FM Rui Gilberto Ferreira, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) José Hiran Gallo e o presidente da Academia Goiana de Medicina (AGM) Waldemar Naves do Amaral.
Rui Nunes foi o primeiro médico português a se especializar em bioética em seu país, ao defender sua tese de doutorado intitulada “Questões Éticas do Diagnóstico Pré-Natal da Doença Genética”, em 1996, e ajudando a fundar o Centro de Bioética da Universidade do Porto, no mesmo ano. Desde então, seu prestígio institucional e internacional veio crescendo até se tornar um dos pensadores mais importantes dessa área no mundo, com mais de 30 livros publicados, centenas de artigos acadêmicos, e inúmeros doutores formados sob sua orientação.
Atualmente, ele é presidente da Cátedra Internacional de Bioética, instituição que opera em estreita colaboração com a Unesco. Em discurso de saudação ao novo Doutor Honoris Causa pela UFG, o vice-diretor da FM, professor Rui Gilberto Ferreira, disse que seu xará tem “a rara capacidade de conciliar a precisão da técnica cirúrgica com a profundidade da reflexão bioética.”
Nas suas relações com o Brasil, Nunes conseguiu criar um programa de doutorado em bioética, numa parceria entre a FMUP e o CFM, tendo formado mais de 50 doutores brasileiros nesta especialidade. Mais recentemente, se tornou o terceiro membro correspondente internacional da Academia Goiana de Medicina. Segundo o presidente da AGM, Waldemar Naves do Amaral, o médico português tem mérito em receber o título de Doutor Honoris Causa pela UFG, criando um vínculo com a instituição e com Goiás, fortalecendo assim a internacionalização da medicina goiana.
Influenciado em sua base filosófica, para compreensão e pensamento da bioética, pelos filósofos John Rawls e Amartya Sen, em seu discurso de aceitação do título, Rui Nunes diz que as pessoas fazem a diferença nas organizações, e essa relação entre as instituições de Portugal e Brasil (FMUP e CFM) criou algo que transformou o programa de doutorado em bioética em algo diferente. “Diante da conjuntura geopolítica que o mundo atravessa, e diante da enorme predominância da ciência e da própria bioética econômica, esse espaço pôde ser ocupado, de alguma forma, pela biomédica portuguesa e brasileira, com visão e estratégia de ambos os lados”, pondera.
Segundo Rui Nunes, esse espaço da bioética interatlântica transcendeu os países da lusofonia, chegando sobretudo às nações do Oriente, como a Índia e a China, onde há grandes relações com o pensar bioético luso-brasileiro. Muito disso, diz Nunes, se deve também à visão que o CFM não apenas ajudou a criar, mas aprofundou nos últimos anos, contribuindo com o desenvolvimento de uma “bioética moderna, plural, aberta, com respeito às convenções internacionais, com respeito à diversidade cultural, que aposta no multiculturalismo. Esta é a bioética que defendemos, que respeita a dignidade da pessoa, os direitos humanos fundamentais, a igualdade entre homens e mulheres. É esta a bioética que o mundo quer, que o mundo deseja e que estamos conseguindo defender”, diz.
O diretor da FM, Marcelo Rabahi, ressaltou a conjunção entre a consciência e o humanismo no trabalho de Rui Nunes e lembrou que a medicina vive um dos momentos mais desafiadores de sua longa história. “Por isso mesmo, devemos enxergar no outro não a doença que estamos tratando, mas, sim, o ser humano que está ao nosso lado, pois precisamos entregar a ele muito além do que medicamentos e técnicas cirúrgicas, e é o que está marcado na sua história, professor. Para nós, é isso que nos enche de orgulho tê-lo conosco”.
A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, finalizou o evento traçando um perfil da universidade, e mostrando ao novo Doutor Honoris Causa a projeção da instituição, que hoje tem 116 cursos de graduação e uma rica variação de programas de pós-graduação, além de ser pioneira na inclusão efetiva.
“A UFG foi vanguarda ao criar seu programa de inclusão, possibilitando o acesso a muitos jovens que eram a primeira pessoa da família a ingressar num curso superior, oferecendo programas de promoção de permanência para alunos em situação de vulnerabilidade social, uma assistência estudantil efetiva, por exemplo, com alimentação, desde o café da manhã, almoço, até o jantar. Esta é a universidade que lhe concede o título de Doutor Honoris Causa, professor Nunes, aprovado pelo Conselho Universitário”, diz a reitora, que ainda parabeniza o médico português e lhe dá as boas-vindas, a ele e a sua família.
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