Renomado médico português e professor catedrático de bioética, Rui Nunes receberá o título de Doutor Honoris Causa pela UFG

Renomado médico português e professor catedrático de bioética, Rui Nunes receberá o título de Doutor Honoris Causa pela UFG

 

Renomado médico português e professor catedrático de bioética, Rui Nunes receberá o título de Doutor Honoris Causa pela UFG

Rui Nunes, professor catedrático de bioética da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e presidente da Cátedra Internacional de Bioética da Unesco, receberá o título de Doutor Honoris Causa pela UFG, na segunda-feira (06/07)

A Reitoria e a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG) homenagearão o médico português Rui Nunes com o título de Doutor Honoris Causa, na segunda-feira (06/07). A cerimônia será realizada no Teatro Asklepiós, da FM, às 19h. Nascido na cidade do Porto em 1961, Nunes graduou-se em Medicina e fez doutorado em bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), onde hoje é professor catedrático da especialidade.

Autor de mais de 30 livros e mais de 300 artigos, Nunes se tornou uma das maiores lideranças globais na área de bioética. Além de ter fundado e presidir a Associação Portuguesa de Bioética, integra o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) de seu país, e em setembro de 2023 assumiu a presidência da Cátedra Internacional de Bioética da Unesco (sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

As universidades brasileiras conhecem seus livros. Pesquisadores de mestrado e doutorado defendem dissertações e teses utilizando seus conceitos. Por causa disso, mantém fortes relações institucionais com o Brasil. Em 1998, foi criado o Encontro Luso-Brasileiro de Bioética, atualmente presidido em conjunto por Nunes e pelo presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), do Brasil, José Hiran da Silva Galo. As relações ficaram mais estreitas com a criação do Programa de Doutorado em Bioética, em 2007, mantido pela FMUP e pelo CFM.

De acordo com o SIGARRA (Sistema de Informação da Universidade do Porto), o Programa já formou mais de 50 doutores brasileiros. Em 2025, o CFM entregou 27 diplomas a doutores formados pelo convênio, que disponibiliza, para cada turma, 20 vagas para médicos brasileiros. A seleção mais recente foi para a 16ª turma, cuja lista de aprovação foi divulgada pelo CFM, em maio deste ano.

Em 2017, Rui Nunes foi eleito acadêmico titular da Academia Nacional de Medicina, de Portugal, e no dia 4 de dezembro de 2025, recebeu o título de Acadêmico Correspondente/Titular da Academia Goiana de Medicina. Na ocasião, ele esteve em Goiânia para a posse. A aproximação com a comunidade médica e acadêmica de Goiás continua com a entrega do título de Doutor Honoris Causa pela UFG. A solenidade será transmitida ao vivo pelo canal oficial da UFG no YouTube (www.youtube.com/@UFGOficial).

Democracia e pluralismo

Com largo reconhecimento institucional, Nunes é um humanista preocupado com os direitos individuais à vida numa sociedade cada vez mais tecnicizada. Segundo ele, na introdução de sua tese de doutorado intitulada Questões Éticas do Diagnóstico Pré-Natal da Doença Genética, a evolução da vida humana já não é mais exclusivamente natural. Ela sofre “a influência da inteligência e vontade do homem, que, através de vários recursos ao seu alcance, tem modificado intencionalmente o mundo que o rodeia.”

Para proteger a vida, e não deixar que ela seja controlada por mecanismos de poder, por grupos tomadores de decisão, é necessário, portanto, garantir um ambiente plural. Por isso, Nunes afirma que a bioética é filha da democracia e do pluralismo. E ele faz tal afirmação de um lugar onde nasceu a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, em 2005, a Unesco, que redigiu o documento como desdobramento (renovação) da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, redigida pela própria ONU.

Essa discussão está presente em diversos livros de Nunes (não confundir com seu homônimo, o ficcionista português), entre os quais estão Healthcare as a Universal Human Right: Sustainability in Global Health (coautor e organizador, de 2025), Testamento Vital (em coautoria com Helena Pereira de Melo, de 2011), Diretivas Antecipadas de Vontade (publicado em parceria entre FMUP e CFM, de 2016) e BioÉtica (2013).

Categorias: NOTÍCIA