Os riscos dos cigarros eletrônicos - pneumologista chama a atenção para a farsa dos vapes

Os riscos dos cigarros eletrônicos - pneumologista chama a atenção para a farsa dos vapes

 

Os riscos dos cigarros eletrônicos - pneumologista chama a atenção para a farsa dos vapes

Ao centro, em pé, o médico Iago Akel de Faria: "O pulmão do usuário de vape, ao ser afetado pelo diacetil, fica inflamado e seus bronquíolos lembram uma pipoca, por isso ele é chamado de pulmão de pipoca.”

“Essa roupagem coloridinha, essa coisa de ser saboroso, com sabor de melancia, tutti-frutti que ele oferece, só camufla seu real malefício, porque tudo aquilo, na verdade, é uma nuvem química que prejudica demais. O cigarro eletrônico, também conhecido como vape, tem mais elementos químicos do que o cigarro de filtro normal, tem muito mais nicotina por concentração.” A frase é do médico pneumologista Iago Akel de Faria.

Iago proferiu uma palestra, no dia 13 de junho, para alunos do Ensino Médio da Escola CEPI Ruy Brasil Cavalcante, em Piracanjuba, sobre a farsa dos vapes e o pacote de malefícios que ele carrega. A conversa com os adolescentes fez parte de um evento maior na cidade, com serviços de avaliação e prevenção de saúde prestados pelas Ligas Acadêmicas de Medicina, realizado pela Coordenação de Extensão da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás.

O objetivo da palestra de Iago foi alertar os adolescentes sobre as armadilhas do prazer ofertado nos vapes. Trata-se de uma droga tão nociva que sequer tem permissão de ser comercializada em território brasileiro. De acordo com dados no site do governo federal, “no Brasil, a comercialização, importação, fabricação e distribuição de todos os tipos de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (vapes) são totalmente proibidas”, norma que existe desde 2009.

Iago reforça a criminalização dos vapes, e reafirma: “Fazemos campanha contra esse tipo de produto porque, sendo proibido, sequer conhecemos a procedência, e nem sabemos o que de fato contém dentro dos dispositivos”, diz. Segundo ele, é importante derrubar a farsa do cigarro eletrônico, "que vem sendo divulgado de um jeito que seu uso até parece ser benéfico, como se só o cigarro de filtro fizesse mal, e o vape, não.” 

O vape vende a ideia de que não tem fumaça e, portanto, não tem perigo. Mas o que cada vaporizada insufla nos pulmões do usuário é mais que fumaça, é uma nuvem tóxica, cheia de microdetritos. “Ele é aquecido por um mecanismo semelhante ao da churrasqueira eletrônica, e aquilo solta metais pesados, cromo, níquel, além das substâncias químicas inerentes a ele, formaldeído, acetaldeído, diacetil”, diz Iago.

O diacetil é um aromatizante utilizado na pipoca de microondas para dar um sabor amanteigado. “Na ingestão da pipoca, ele não causa danos, mas, sendo inalado, causa, sim. O pulmão do usuário de vape, ao ser afetado pelo diacetil, fica inflamado e seus bronquíolos lembram uma pipoca, por isso ele é chamado de pulmão de pipoca.” 

No curto prazo, o vape pode até oferecer prazer, porque suas substâncias atuam na dopamina. Mas não demora muito para os problemas aparecerem, como dependência química, ansiedade, falta de concentração, “principalmente para os adolescentes, que estão aumentando muito sua incidência de uso, prejudicando o desempenho escolar”, até que, a longo prazo, pode aparecer ‘o imperador de todos os males’, o câncer.

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