Legado e memória - o título de Professor Emérito de Salvador Rassi
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A partir da esquerda: Weimar Kunz Sebba Barroso de Souza (professor da FM), Orlando Afonso Valle do Amaral (ex-reitor da UFG), Marcelo Rabahi (diretor da FM), Paulo César Brandão Veiga Jardim (Professor Emérito), Sandramara Matias Chaves (reitora da UFG), Salvador Rassi (Professor Emérito), Daniela do Carmo Rassi Frota (professora da FM), Camila Cardoso Caixeta (vice-reitora da UFG), Milca Severino Pereira (ex-reitora da UFG) e Edward Madureira Brasil (ex-reitor da UFG) |
Depois de 41 anos de uma carreira vitoriosa na trilogia da vida médica, ensino, pesquisa e prática na área de cardiologia, Salvador Rassi é homenageado no Teatro Asklepiós, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), ao receber o título de Professor Emérito. A cerimônia de outorga foi realizada na semana passada (09/06) com a presença de seus pares, além de autoridades, amigos e familiares.
Em seu discurso de aceitação do título, o professor Rassi fez um passeio pela memória, comentando episódios fundamentais de sua trajetória e pontuando seu legado como médico, preceptor, professor, orientador e pesquisador. Segundo ele, não há nada mais compensador do que ver o sucesso de quem estudou com você, ouviu seus ensinamentos e ganhou autonomia como profissional. "É extremamente gratificante ver seus alunos galgando degraus importantes na carreira médica."
Ele acredita que a vida bem-sucedida, seja de que propósito for, depende do outro. Não é possível andar sozinho sem se perder ou cair no abismo, não é possível construir grandes obras, realizar grandes conquistas sem uma equipe, na vida profissional, sem amigos, na vida pessoal, sem a família, na vida toda. "Se você quer ir longe, não vá sozinho, vá acompanhado", diz o professor Rassi, citando o mago da tecnologia, Steve Jobs.
Rassi faz questão de lembrar de seus pares. Lembra da amizade com o professor Paulo César Brandão Veiga Jardim, que começou lá em São Paulo. Embora sejam goianos, ambos se formaram médicos em instituições paulistanas, ele pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e Veiga Jardim pela Universidade de São Paulo (USP). Os dois partilhavam os sonhos a caminho da faculdade, nos pontos de ônibus na Avenida Paulista, e aqui, na FM, fazendo história como professores e como médicos, sendo homenageados juntos nessa noite.
Lembra dos nomes já consagrados em Goiânia, como Anis Rassi, José Cassiano Neto e Arnaldo Velasco, entre outros, quando ele mesmo começou sua carreira. Era uma turma de grandes cardiologistas goianos que ele emulou para fazer seu caminho se tornar mais próspero, como de fato aconteceu, pois seu trabalho e sua dedicação o levaram a se tornar um dos maiores cardiologistas do país.
Mas é como professor na Faculdade de |Medicina e preceptor no Hospital das Clínicas da UFG que ele considera ter alcançado sua realização plena, atuando no internato e na residência de cardiologia, que ele ajudou a montar, participando da formação de 52 residentes de cardiologia, nesse período de quatro décadas de ensino médico.
Ao longo dessa carreira brilhante, não lhe faltaram amigos, e a família esteve sempre do seu lado. Ele exalta os irmãos, exalta os filhos, a esposa, os genros, os netos, e dedica seu título de Professor Emérito a seu pai - João Rassi, que achava que ele estudava demais e desconfiava que o filho tinha alguma dificuldade cognitiva - e a sua mãe, que lhe dava broncas por esquecer os livros ao ir para a escola, mas que, apesar de "não entenderem a dinâmica interna do filho", o amavam demais e o tratavam com afeto e incentivo.
Afeto e incentivo que Salvador Rassi também soube dar a seus filhos e filhas, tanto que uma delas, Daniela do Carmo Rassi Frota, tornou-se médica cardiologista, e acabou passando num concurso que seria para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria de seu pai, informação que ela só viria a ter na ocasião de assumir o posto. "Ocupar aquele espaço tem o peso de uma missão", disse ela, ao fazer o discurso de saudação ao agora Professor Emérito, seu colega de profissão, seu ex-colega de docência, e seu pai, sempre.
Ao falar do pai, a professora Daniela evoca sua memória de infância, e assim faz uma coisa muito bonita, que é colocar a memória do pai dentro de sua própria memória, vendo-o estudar sem parar, testemunhando a dedicação de um homem a uma das profissões mais nobres da humanidade, por se tratar do cuidado à vida. "Seu trabalho viveu muito além de você, vive nos estudantes que o senhor formou, vive na sua família, nos seus filhos, netos, e vive também em mim", diz ela, lembrando aquilo que o pai já dissera e que certamente lhe ensinara: "Os melhores legados raramente se constroem sozinhos."
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