Para reafirmar todo um passado, FM planeja criar Centro de Memória
A Faculdade de Medicina está desenvolvendo um projeto para a criação de seu Centro de Memória, que será um espaço institucional de caráter permanente e sem fins lucrativos. A ideia já vem sendo gestada há muito tempo. O professor Heitor Rosa, por exemplo, que já se aposentou, é o pioneiro desse esforço, que voltou à pauta numa das reuniões de Conselho da FM no começo de maio.
De acordo com o professor Marcos Ávila, médico oftalmologista, um dos nomes à frente do projeto, a criação do Centro de Memória é importante porque é uma forma de manter viva a história da saúde e da educação médica em Goiás. “É uma oportunidade de reafirmarmos todo um passado da UFG”, comenta.
O professor Mauri Félix de Sousa, médico nefrologista, que também será responsável pela criação do museu, afirma que o espaço traz um compromisso com o futuro, porque conserva dados que contam a história da medicina e carrega o conhecimento para as próximas gerações. “É importante para a memória, com documentação em vídeo, documentos escritos, imagem, com atividades culturais.”
Segundo ele, o espaço já está garantido. Será feito no primeiro prédio da Faculdade de Medicina, que, por si só, já é um marco histórico da fundação da FM, que fez 66 anos em abril. “Teremos uma base sólida para construirmos a memória e o futuro, com toda a estrutura necessária para que se preserve isso”, diz o professor Mauri.
A história do museu começa na França do século XVIII, como primeiro acervo público, conforme registra a Enciclopédia (de D’Alembert e Diderot). O escritor francês Georges Bataille utiliza uma metáfora orgânica, típica dos estudos médicos, para descrever a função do museu, que, segundo ele, “é como os pulmões de uma grande cidade. Todo domingo, o público mergulha como sangue dentro do museu e emerge purificado e fresco.”
A medicina é uma das profissões mais antigas do mundo. São raras as profissões que existem hoje que foram citadas na Bíblia, por exemplo. Quando um médico aciona seu saber técnico, profissional, dependendo de como foi formado, ele está acionando uma memória secular, passando por saberes milenares, que vêm sendo apurados e acurados, até chegar a nós.
Onde essa memória pode ser acessada por leigos, por cidadãos que só querem entender melhor a história de uma profissão que ajuda a nos manter de pé, fisicamente e psiquicamente? Nos memoriais, nos museus, nas galerias históricas.
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