Por uma saúde popular, acessível e humana - X COEMCO debate inovação e tecnologia no ensino da medicina
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A partir da esquerda: Ana Maria de Oliveira, José Eduardo Baronesa, Miguel A. Toledo, Camila Caixeta, Eliane Terezinha Afonso, Denise Afonso, Celmo Celeno Porto e Thales Eduardo Ribeiro
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Realizada na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, nos dias 22 e 23 de maio, a décima edição do Congresso de Educação Médica do Centro-Oeste (COEMCO) propôs uma série de debates que atualizam as questões mais prementes do ensino de saúde no Brasil. O tema deste ano foi “Educação Médica Inovadora e Popular para a Transformação Social do Centro-Oeste”, com mesas redondas e várias rodas de conversa.
Na abertura do evento realizado pela Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), na noite de sexta-feira (22/06), o estudante da FM, Thales Eduardo Ribeiro, presidente-discente do evento, fez a primeira fala do ciclo de pronunciamentos, dizendo que, para atravessar os abismos da desigualdade na saúde pública, só construindo pontes.
“Quando pensamos em inovação em medicina, a mente costuma viajar para robôs, inteligência artificial, tecnologia de custos astronômicos, mas, no contexto da saúde popular e do nosso Sistema Único de Saúde, o SUS, inovar assume um significado muito mais humano e urgente. Inovar na saúde popular significa criar pontes onde o isolamento social construiu abismos, significa humanizar o acesso, simplificar processos complexos e garantir que a ciência mais avançada chegue às comunidades mais vulneráveis”, diz Thales.
A professora Ana Maria de Oliveira, presidente-docente do X COEMCO, também falou. Ela agradeceu a ABEM e todos que trabalharam para a realização do evento, e convidou estudantes, professores e gestores dos cursos de Medicina a unir forças e criatividade para compartilhar expertises, angústias, reafirmando assim o compromisso com uma educação médica de qualidade e responsável. “Precisamos de uma educação médica que venha para o necessário cuidado de que as pessoas precisam nesse mundo tão desigual em que vivemos.”
Na mesa de abertura também estavam presentes José Eduardo Baronesa, Diretor Regional da ABEM Centro-Oeste e professor de medicina da UnB, Celmo Celeno Porto, da UFG, Denise Afonso, diretora da ABEM, representando seu Diretor-Presidente Sandro Schreiber de Oliveira, Eliane Terezinha Afonso, coordenadora do curso de Medicina da UFG, Camila Cardoso Caixeta, vice-reitora da UFG, representado a reitora da UFG Sandramara Matias Chaves, e Miguel Águila Toledo (UFG).
Em sua fala, José Eduardo Baronesa ressalta que o evento privilegia o diálogo e a escuta. Segundo ele, “formar médicos e médicas é antes de tudo um trabalho coletivo.” Para Denise Afonso, a educação passa por uma metamorfose no mundo inteiro, e a Medicina está nesse processo também. E a melhor maneira de acompanhar essas mudanças, diz Denise, é confluir como as águas de um rio, citando o conceito de confluência do filósofo popular Antônio Bispo dos Santos, o Nego Bispo. “ Confluir é ao mesmo tempo render e ampliar nossas próprias potências”, argumenta Denise.
Eliane Terezinha Afonso falou em nome da FM, e agradeceu a presença de todos no evento, destacando a importância do coletivo regional que, juntando forças das diversas escolas de Medicina do Centro-Oeste, consegue fazer um trabalho notável.
Ela lembra que o diretor da FM, Marcelo Rabahi, demonstrou satisfação ao ver a movimentação dos espaços da Casa de Francisco (como é conhecida a FM), com alunos, professores e demais públicos do evento transitando entre as salas, pelos corredores, conversando. “Ele falou ‘quero ver a Faculdade desse jeito, quero ver a gente discutindo, quero ver rodas de conversa’, e eu eu falei ‘eu também’. Nós que estamos aqui queremos isso”, diz Eliane.
A inteligência humana em parceria com a IA
Os palestrantes que fecharam o evento daquela noite foram Denise Afonso e o convidado especial Celmo Celeno Porto. Denise continuou seu discurso sobre a necessidade e a importância de a sociedade acadêmica olhar para o futuro observando o presente.
“Discutir a educação médica é discutir o cuidado em saúde e a sociedade que queremos construir, uma sociedade da qual fazemos parte, que depende muito do que construimos hoje para dizer o que vamos viver daqui a pouco. A formação em saúde precisa estar conectada com a realidade das pessoas, com as necessidades do SUS, com a defesa da vida, da ciência e da dignidade humana. Precisamos formar pressionais tecnicamente competentes, mas, acima de tudo, também sensíveis às desigualdades”, diz Denise.
Para Celmo Porto - que recebeu afago dos colegas e uma placa de homenagem pela sua longa trajetória no ensino da medicina, na pesquisa e na lúcida capacidade de pensar o humano no amplo contexto social e nas relações com o ambiente da saúde e da tecnologia -, é preciso investir na sensibilidade, na capacidade afetiva e no dom de saber ouvir o outro.
Segundo ele, a relação do médico com o paciente tem de ter essa base, porque já estamos no futuro, e o que o futuro nos propõe é um inescapável enlace entre inteligência humana e inteligência artificial. Não dá para escapar disso, e esta relação pode ser saudável. “A Inteligência Artificial vai participar de todas as atividades humanas, e na medicina não é exceção. Trata-se de uma disrupção, não é uma mera mudança de paradigma, é uma mudança radical”, diz Celmo.
“O ato médico básico é o exame clínico”, afirma o professor. Ele chama a atenção para esse procedimento fundamental, e fala que até nessa relação médico-paciente, a nossa inteligência natural vai ser uma parceira da IA.
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