Diretoria da FM se reúne com representantes de várias instituições públicas para discutir questões ligadas à violência contra a mulher
Em 18/09/2026
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A partir da esquerda: Walter Johnatha dos Santos Pereira (do Centro Acadêmico XXI de Abril - CAXXIA), Eliane Terezinha (Coordenadora do Curso de Medicina da UFG), Marilúcia Pereira do Lago (diretora de Mulheres e Diversidade na UFG), Fátima Mrué (professora da FM-UFG), Marta Maria Alves da Silva (médica sanitarista e coordenadora do Projeto de Saúde Indígena do HC-UFG), Marcelo Rabahi (diretor da FM-UFG), Evelyn Jordana Rodrigues dos Santos (superintendente da Mulher, da SEDS), Valentina Jungmann Cintra (gerente de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da SEDS), Rui Gilberto Ferreira (vice-diretor da FM-UFG) e Jaqueline Araújo Civardi (secretária de Inclusão, da UFG) |
A Diretoria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG) recebeu em seu gabinete no dia 16 de setembro gestoras, pesquisadoras e professoras, representando diversas instituições públicas, para discutir questões ligadas à violência contra a mulher. A ideia central da reunião foi a de desenvolver um Grupo de Trabalho intersetorial entre a FM, a UFG (por meio da Diretoria de Mulheres e Diversidade e da Secretaria de Inclusão), o Hospital das Clínicas e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Goiás (SEDS), por meio da Superintendência da Mulher e da Gerência de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.
Foram levantadas e discutidas várias demandas, entre elas a criação de fóruns de discussão e o aprimoramento da grade curricular da FM, que já debate a questão. A coordenadora do Curso de Medicina da UFG, Eliane Terezinha Afonso, por exemplo, citou uma pesquisa de abordagem de 2024 no Ambulatório de Adolescentes do HC (vinculado ao Departamento de Pediatria da FM), segunda a qual, de 70% a 80% dos atendimentos feitos - dos casos que não evoluíam de transtornos psiquiátricos - envolviam situações de violência. “A violência era geralmente contra a mulher, só que a mulher adolescente, e que começou na infância”, disse a professora Eliane, para ilustrar o grau de preocupação e de urgência de ações intersetoriais para combater esse tipo de abuso.
Durante a reunião, também foi aventada a possibilidade da criação de um curso de Especialização intersetorial sobre violência contra a mulher, com grandes chances de ser uma das primeiras ações do grupo. De acordo com Marta Maria Alves da Silva, médica sanitarista e coordenadora do Projeto de Saúde Indígena do HC-UFG, com mais de 30 anos de experiência no tema da violência, esse combate tem de ser obrigatoriamente intersetorial, com vários órgãos e instituições, cada um com sua atribuição. “A violência é um problema de saúde, mas só com ela fazendo sua parte, que é fundamental, vamos ficar enxugando gelo. É preciso intervir nos outros aspectos que envolvem vítima e autor” argumentou.
Neste sentido, a diretora de Mulheres e Diversidade na UFG, Marilúcia Pereira do Lago, professora do curso de Psicologia e na Especialização de Direitos Humanos, da Faculdade de Direito, disse que é preciso entender os fatores de risco geradores dessa violência, entre os quais está a questão cultural e o cultivo de uma mentalidade misógina, que começa muito cedo, propagada, por exemplo, em letras de música.
Investir na formação de professores, desde a base, é um dos caminhos para o combate à violência contra a mulher, disse a professora. Ela parabenizou a FM “pela mudança que está ocorrendo dentro da instituição, com essa abertura, essa preocupação com as temáticas contemporâneas”, disse. “A FM e o HC têm um papel de formação muito importante na sociedade goiana, porque atende a população do SUS, e é referência até para outros Estados”, concluiu.
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